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Bastidores

Bastidores: O que ninguém vê nos palcos brasileiros

O espetáculo invisível

Enquanto o público aplaude no centro do palco, nos bastidores a verdadeira agitação acontece. Técnicos correm com cabos, atores ensaiam passos de última hora e diretores fazem ajustes de iluminação. Esta é a rotina nos teatros brasileiros, um mundo de dedicação e detalhes que poucos conhecem.

Em São Paulo, a peça ‘O Invisível’ revelou que 80% dos erros de luz são corrigidos em segundos por uma equipe experiente. ‘Nos bastidores, cada segundo conta’, diz o diretor técnico Marcos Oliveira, que trabalha há 15 anos no Theatro Municipal.

Já no Rio de Janeiro, a adaptação de ‘Dom Casmurro’ para os palcos trouxe desafios inesperados. O ator João Silva machucou o tornozelo durante um ensaio, mas continuou a apresentação com a ajuda de analgésicos. ‘O show não pode parar’, afirma ele.

A tecnologia também marca presença. Em Curitiba, a peça ‘Cyber Teatro’ usa realidade aumentada nos bastidores para sincronizar efeitos visuais. ‘É como uma segunda peça acontecendo nos bastidores’, descreve a produtora Ana Costa.

Mas nem tudo é glória. A falta de investimento público ameaça a manutenção de equipamentos. O Teatro Nacional Claudio Santoro, em Brasília, teve que adiar três estreias por problemas no sistema de som. ‘A criatividade é nossa maior aliada’, ironiza o gerente de palco, Pedro Santos.

Para o crítico literário Carlos Drummond, os bastidores são ‘a alma do teatro’. ‘O que o público vê é apenas a ponta do iceberg’, reflete. E assim, entre cortinas e refletores, a mágica teatral se mantém viva – mesmo que seus heróis raramente saiam do anonimato.

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